
segunda-feira, 15 de março de 2010
Quem sabe?

quinta-feira, 4 de março de 2010
Pinot noir e lírios

Um psiquiatra australiano disse essa semana que sua pesquisa comprovou que pessoas felizes são egoístas. Que a tristeza faz com que as pessoas percebam mais o mundo exterior, logo as outras pessoas. Que os tristes ajudam mais. Fiquei pensando nisso, mas acho que eu não estava num bom dia. Porque achei que o ser humano é sempre tão egoísta, que se ele ajuda mais porque está triste é para se sentir um pouco melhor, com o fato de ver que sempre tem alguém pior. E resolvi que nada melhor do que a gente se ajudar primeiro. Dar uma mãozinha, sabe? O dia estava realmente difícil. São tantas mudanças e um território que não me pertence. E ainda tem os outros. Sim, existem outros e seus conflitos. Os altos. Os baixos. O desânimo deu uma invadida que a cama tem chamado cedo. Nove e meia, dez da noite. Pra acordar cansada. Já conheço esse filme. O elenco? Só uma pessoa atuando. Passeei pelas ruas, não vi ninguém. Como se tudo estivesse congelado, menos eu. Almocei sozinha. Comprei flores para mim. Passei num “café” charmoso. Adoro o aroma. Parei na loja de sempre, o sommelier reparou que eu estava diferente dos outros dias. Comentou. Não respondi. Cheguei em casa e coloquei as flores num vaso com água. Num gesto de carinho aos meus sentidos, dei aos meus ouvidos Jobim. Ao meu olfato o perfume dos lírios. A meu paladar a companhia do pinot noir. E ao meu coração a calma de saber tudo acaba no seu devido lugar. Desde que não falte água às flores.
Imagem: e urubu de Jobim...
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Mas passa
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Causa mortis
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Mineira na praia - mas não em férias - 2
Uma pequena quantidade de roupa. O suficiente para um fim de semana. Em BH. Que BH que nada. Em um casulo. Casulo de noite e de dia. Precisa mais nada não. O resto é o vento e o sol batendo no rosto quando raro desencasula. Mesmo assim, bem perto.
Descobri que duas rodas é bem melhor. Só não é mais que chão. Se bem que eu acho que vale todos os estratos, veículos e espaço. No chão, sobre rodas, no ar. Na cama, na rede, na sala de estar. O importante mesmo é estar lá, sideral...
Divaga, vaga, para e volta. O telefone que toca traz à tona o presente. Já me derreti de calor. Já andei apressada por causa do horário. Já tomei um cano de um carioca exxxperto. Já tomei uma cerveja antes do almoço. Já comprei mais alguns CD’s dos Beatles para a coleção. Já encontrei a terapeuta que estou precisando; para ver se consigo guardar tudo isso dentro da cachola. E ainda tenho que lembrar de passar ali na praia para fazer a oferenda à Janaína. Porque, já que estou de volta, é melhor não descuidar.
Iemanjá, Odó Iyá. O dia é seu. O interesse em celebrar é todo meu, pra ver se a cor fica de casulo até borboleta.
imagem: aquela, de dentro do taxi
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Mineira na praia - mas não em férias - 1

O coração anda ocupado, mas o Carlos Drumond de Andrade já avisou que o amor quando pula o muro e sobe na árvore tem um destino daqueles. Enquanto finjo evitar esse destino, vou me ocupando com a praia há três quadras da minha casa e a caminhada diária até a estação do metrô. Vou trabalhar. Volto. Como um "japonês" por conta da empresa. Não está ruim não, né? E ainda por cima, estou dando sorte com os cariocas que têm fama de serem marrentos. Desde que cheguei tenho sido muito bem recebida em todos os lugares. Convite para teatro, cinema, um barzinho. Com nome na porta e direito a acompanhante. Vinho na casa de uma querida amiga. Camareiras que cuidam de mim como se eu fosse uma órfã. Arranjei um monte de mãe. A do bar da piscina que mesmo quando não quero leva alguma coisa para eu comer, além das bebidinhas para a minha geladeira. A supervisora da limpeza, de uma delicadeza ímpar, cuida da casa como se fosse dela e das minhas coisas com um preciosismo de dar gosto. A do café da manhã que mandou comprar manteiga só para mim. A da recepção que tem um belo de um sorrisão toda manhã. E os rapazes da segurança que abrem a porta e sorriem, consertam alguma coisa. Juro, se eu reclamar, podem me internar.
Ontem no metrô que vive superlotado, dei lugar a uma senhora. Ela ficou repetindo que não precisava, que seria apenas uma estação. Mentira, ela desceria em Botafogo, cerca de quatro estações à frente. Sentou-se e agradeceu com aquela carinha de vó – será que sou sentimental?. Logo apareceu outro lugar aonde me acomodei. Quando me esqueci da velinha e me concentrei na esperada chegada em casa, tomei um susto. Eu estava sentada perto da janela e a senhora ao descer, bateu no vidro e deu um sorriso lindo pra agradecer. Fiquei emocionada. Acho que sou mesmo sentimental...
Saudades?
Todas, mas tenho sido bem tratada por aqui. Que São Sebastião conserve. E que São Jorge me empreste suas roupas e armas para ser só feliz. Porque, já disseram, é melhor ser alegre que ser triste.
Amém.
domingo, 24 de janeiro de 2010
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Eurita 357
É assim. Um turbilhão. Não é possível que em nenhum momento da minha vida as coisas vão acontecer de forma mais serena, mais calma. Calma! Mal cheguei na casa de varanda pra serra. De rede vermelha de amar. Amar o amor e amar a vista. Que que tem se não é pro mar? Tem nada não. Tinha. O marido deitado nela fumando o cigarrinho, com cara de pensativo. Tinha o bonito, nos quarenta e sete do segundo tempo, que adora uma rede, pra eu aconchegar e ficar bem perto. E uma santa que fica vigiando tudo o que acontece ali. Quase não coube no espaço, mas ela quis caber e coube. E deve fechar os olhos às vezes pra não ver tamanha confusão de gente. Gente que entra, gente que sai. Gente que vai e vem. E fica. E tanta música esquisita. E música boa também. A santa deve ficar agoniada algumas vezes que sente que alguma tristeza paira no ar. Porque tristeza é uma coisa que não combina com aquele lugar. Vale até luzinhas de natal sem ser natal. Mesmo que todo mundo que entre fale, olhe, é natal. Que raiva. Nem entendem a instalação do marido. E ele nada de Guimarães Rosa. Até achou bonita a letra no azulejo, mas o Leminski agradou mais. Eu acho. Acho também que a cozinha é grande, ótima para cozinhar, mas só tem cerveja. E vinho. Vinho. E cerveja. A maior produção de latinhas das redondezas. Nunca vi. Dá até para abrir um negócio. Só os amigos sustentariam o empreendimento. Faltou cozinhar. O marido até fala que gosta de cozinhar. Eu também. Mas o negócio dele mesmo é o tal wii. E o meu, não sei. Sorte que o Bolão é do lado. Ui, às vezes o cheiro de bolonhesa causa até desespero. Faltou o cachorro também apesar da jabuticabeira e as outras meninas terem cumprido um papel importante. Claro que num bairro como aquele, plantas ajudam a compor o cenário. Ah, e o barbeiro velinho também. Pelo menos para o marido passar em frente e dizer que vai fazer a barba lá um dia. Um dia vai, mas antes é preciso ir ao Marilton’s, tomar uma...cerveja. Novidade. Além da vontade de variar o cardápio. Mudar de rochedão, pra caol. Mudança significativa. Pelo menos anda uns quarteirões pra queimar as calorias. Mentira. Vai de carro mesmo. Essa vida ainda vai nos matar... Mas não isso mesmo que nos faz viver? È marido...essa vida é bandida mesmo. Ela faz o que quer. Rouba da gente o que quer, devolve quando quer ou nem devolve. Dissolve. Agora a vista pro mar está até bonita. O cristo tem uns braços abertos assim, grandão, que é bom pra quem é carente assim, tipo eu. A música está em todo lugar e o medo dentro de mim. Estou enfrentando o medo mais uma vez. Sozinha. Mais uma vez sozinha, mas dessa vez acompanhada das melhores lembranças da casinha de varanda com rede vermelha com vista pra serra, um marido, um bonito, muitos amigos, uma santa, algumas plantas e muita saudade.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Dia furta-cor
é apenas uma amostra
da felicidade pairando no ar.
E assim começo o meu dia,
Tudo colorido, tudo azul
tudo certo, tudo rosé
tudo aqui, tudo agora.
Nem escrever consigo,
nesse tempo que me resta.
Quero gozar dessa alegria,
dessa coisa que irradia,
que se transmuta riso,
em calma, em paz,
em respiro mais suave.
No tempo que me resta
não desejo mais nada
que não seja você
e sua adorável companhia.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Interlúdio
As palavras estão muito ditas
e o mundo muito pensado.
Fico ao teu lado.
Não me digas que há futuro
nem passado.
Deixa o presente — claro muro
sem coisas escritas.
Deixa o presente. Não fales,
Não me expliques o presente,
pois é tudo demasiado.
Em águas de eternamente,
o cometa dos meus males
afunda, desarvorado.
Fico ao teu lado.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Quer vinho, vem
Um amigo meu adora a frase "Só o vinho é real". Eu sempre achei graça.
Hoje entendi.
Tem verdades que duram cinco minutos.
Tem vontades que passam.
Tem certezas que não são.
Ou são só de quem tem.
Do outro não.
O outro não sou eu.
Junto peça a peça os pedaços de mim que restam do dia.
Muito trabalho ontem.
Antes também.
E uma ansiedade pelas outras coisas.
Todas.
O sono está arisco.
A respiração está igual carro com gasolina batizada.
Mas a garrafa de vinho sorri para mim.
Imagem: http://foodvu.com/content/vine-less-traveled-wine-beginners
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
domingo, 25 de outubro de 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
12 de outubro

Nossa Senhora da Aparecida.
Ela é Oxum.
Oxum é Rio.
Rio é Água.
Água também é Iansã.
Iansã sou eu.
Fragmento de uma prosa com Marcelo Dev, filho de Ogum e mestre dos magos de outra Santa, mas a Teresa, de um Rio. Venta Iansã que sua filha precisa voar.
sábado, 3 de outubro de 2009
A resposta da estante
Como se procurasse um oráculo,
passei o olho na fileira de livros.
Uns meio acabados,
outros cheirando a livraria.
Parei no Leminski
para nao complicar,
para ser curta e grossa,
mas acabei dividida em
"Tres Metades"
Meio dia
um dia e meio
meio dia, meia noite
Metade desse poema
sai na fotografia,
metade, metade foi-se.
Mas eis que a terça metade
aquela que é menos dose
de matemática verdade
do que soco, tiro, ou coice,
vai e vem como coisa
de ou, de nem, ou de quase.
Como se a gente tivesse
metades que não combinam,
três partes, destempestades,
três vezes ou vezes três,
como se quase, existindo,
só nos faltasse o talvez.
sábado, 19 de setembro de 2009
Essa coisa de voar é a maior viagem
É sempre o mesmo ritual. Nas mil filas que temos que passar, confesso para alguém desconhecido que tenho pânico de voar. A pessoa - que provavelmente também tem - diz que o número de acidentes aéreos é bem menor do que os terrestres. É engraçado, parece que realmente acredita que dizendo isso, meu medo vai passar.
Até logo, boa viagem. Agora ao lado de outro desconhecido, o momento sem volta está muito próximo. Melhor pensar em alguma coisa para distrair. Quantos aviões estão no ar naquele momento? Tem até congestionamento aéreo. Fila para sair. Fica até quente e abafado, igual no trânsito. Por quê o meu é que seria o escolhido? Acho que não. Eu nem tive aquelas premonições que dizem que toda pessoa que muda de andar tem. Tranquilo.
Aperte os cintos, cuide da bagagem, dê um sorriso amarelo ao seu vizinho como se fosse descolado e achasse que turbulência até ajuda a embalar o sono. Mas disfarce bem quando for enxugar a mão suada.
Tripulação, decolagem autorizada. Não tem mais volta. Saiu do chão...
Num milionésimo de segundo revejo a toda minha vida e concluo que sou feliz. Umas primeiras lembranças não muito hierarquizadas aparecem. Depois, outras mais óbvias. Bate uma tristeza do que podia ter sido, mas uma sensação de não importar mais. Muita saudade. Saudade de gente, de lugares, de cheiros, de comida, de arrepios, de sofrer de amor, de gozar de amor, de ser feliz, de ser triste, de cantar, de rir, de ir, de vir, de ficar, de sentir saudade.
Se posso olhar pela janela, enfrento o medo. Gosto quando tem o curso de algum rio. Principalmente se for dos grandes. Francisco, Araguaia, Paraguai. Como fazem curvas. Qual a cor. Lembro-me que eles sempre vão pro mar. Acho isso tão bonito, dá saudade de praia também. A mente rapidamente planeja alguma coisa. Se entra no meio da nuvem, perco o ar. D á vontade de puxar as famosas máscaras de oxigênio que graças a Deus até hoje nunca caíram sobre a minha cabeça. Vista liberada. Mudança de paisagem...nossa...obrigada, não tenho asas, mas posso voar!
A cada nova paisagem na memória, mais rumos pedem para ser explorados. Muda o barulho. Alerta, um mal estar. Desacelerou. Tá descendo. Até que foi rápido. Norte, sul, oeste. No leste, o outro mundo. Sai e está fazendo 44 graus. Atravessa duas fronteiras e, ao lado, brinca com neve.
Tripulação, pouso autorizado.
Aperto os cintos. Guardo as idéias. Deixo para depois o planejamento das mil coisas que inventei no espaço entre a certeza absoluta da minha morte naquele vôo e a saudade da vida que ainda quero viver. Aterrisagem completada. Respiro fundo e derreto de felicidade na poltrona, por perceber que gosto de estar com os pés bem firmes no chão. Agora, a minha alma e coraçao é melhor que fiquem mesmo nas nuvens.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
E.T.
domingo, 28 de junho de 2009

terça-feira, 19 de maio de 2009
O porto
Dois Irmaos
Pedido ao Deus-Sol
Que o que foi registrado
em palavras ditas e escritas
em folha de papel
assinado e pontuado
com exclamacoes e certezas
fique imovel
no tempo que nasceu.
Feito aquelas fotos antigas
que sao bonitas
porque passaram.
Imagem: Noronha. Hora do descanso do Deus-Sol com a Tita no Forte na Vila dos Remédios.
Chegada
Imagens: Noronha....chegada na casa da Tita, minha suite magica e um mar de distancias.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Alvo

segunda-feira, 27 de abril de 2009
Imagina

sábado, 21 de março de 2009
Chão meu

domingo, 15 de março de 2009
Re-começo

domingo, 8 de março de 2009
Para quem gosta do silêncio
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Embriaguez

De tempo em tempo
caminhos se encontram e
nossas estradas se unem
ao sabor do vento
Quem gosta da estrada
não pára de andar,
hoje está aqui, amanhã
em qualquer lugar.
Afinal, o que permanece então?
Um cheiro encaracolado,
embriagando os sentidos,
entorpecendo o coração?
Já que na direção da vida
essa embriaguez tem perdão,
até a Lei Seca da sua ausência
fiquemos bêbados de amor, em vão.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Dialeto para uma saudade

Voce é o meu quentinho,
Braço forte me aconchega direitinho
Chega mais perto pra esquentar mais um pouquinho
meus pés que nao gostam de ficar longe dos seus, sozinhos
Toda manha me de um beijo
Mas se for cedo, meu amor, me deixe e saia de fininho
Bem humorada sou demais e posso ate sorrir de mansinho
também me encher de coisa boa pra te dar muito carinho
E nosso amor de tanta poesia terminar sempre em três pontinhos...
Imagem: autor deconhecido.
Pés de férias!
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Barra Grande
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Itacaré
domingo, 11 de janeiro de 2009
Caraíva
imagem: foto do "táxi" em Caraíva. Uma feliz entrada em 2009.




