domingo, 23 de outubro de 2011
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Todos os amanhãs possíveis
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Ciúme de você
Uma careta, uma gracinha, esboça um sorriso e volta a ficar com a expressão séria. Será que é sono? Pode ser fome. Não, mamou há apenas duas horas. Está limpinha, então o que pode ser? Nada não. Só porque parece uma mala velha, sorrindo praticamente todos os segundos desde que acorda até dormir – e até dormindo, também sorri – não significa que as bochechas caídas são motivo de preocupação.
Até que, de repente, no meio daquela gente toda da festa junina da escolinha, ele chega. Entoa o seu grave chamamento e dois olhinhos jabuticábicos de cílios de boneca brilham. A bochecha é suspensa por um sorrisão banguelo, as pernas balançam e toda aquela seriedade, incomum, desaparece.
É... As meninas gostam mesmo dos seus papaizinhos.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Quase sem palavras
Claro. Como eu podia ser boba assim. Quase sem palavras disse o que queria e a solução que precisava. Sábia, Olivia. Não tem nem dois anos e já economiza mal entendidos...
quarta-feira, 25 de maio de 2011
O meu caos
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Muitos anos de vida
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Primeira exposição
quarta-feira, 27 de abril de 2011
A descoberta
Meados de abril e eu com aqueles conhecidos sintomas pré-mestruais. Os seios inchados e doloridos, certa impaciência e um calendário que apontava para a solução disso; assim que ela descer, viro gente de novo, pensava. Estava no Rio de Janeiro, tinha acabado de alugar um apartamento no ponto mais nobre de Ipanema – na Rua Nascimento Silva, entre Joana Angélica e Maria Quitéria. A tão sonhada mudança para a cidade maravilhosa, a carreira internacional, as viagens, as milhas, os cartões fidelidade, o networking, a vida perto do mar, o glamour de uma capital culturalmente mais efervescente do que a provinciana Beagá, tudo o que eu achava que era importante na minha vida, de repente, foi colocado à prova.
Na semana da descoberta, antes mesmo de me mudar para o apartamento, fui fazer uma coisa rara – visto que eu estava morando num aparthotel –, algo para comer, e ao quebrar o ovo tive a surpresa de encontrar duas gemas. Achei engraçado e na solidão de uma quase-mudança de cidade, compartilhei com meus amigos no facebook o acontecido. Dentre todos os tipos de respostas, uma assim: pode ser um sinal…
Sinal de quê?
Coincidências à parte, acordei no meio da madrugada seguinte com a mão na barriga. Para livrar-me de uma ansiedade desnecessária, comprei logo um teste de farmácia e fiz no primeiro xixi da manhã. Era só para chegar em Beagá no dia seguinte tranquila, caso me perguntassem eu diria, tá tudo certo, fiz o teste ontem. Já havia feito desse teste antes, mas nunca recebi o produto das mãos de uma atendente que sorrisse tanto para mim. Muito esquisito.
Duas listras quer dizer grávida, uma listra quer dizer não grávida, mas aqui tem duas listras, duas listras quer dizer grávida, uma listra não grávida, mas aqui tem duas, não tem uma só, devia ter, mas não tem! Coloquei o teste lado a lado com as instruções e estava lá, meu teste, igualzinho o positivo da bula. Eu tremia, chorava, ria, sentia medo, negação, olhava a barriga no espelho, tudo ao mesmo tempo. Já sofria só de pensar em como daria a notícia, no que eu faria se fosse sozinha, no que eu faria se fosse junto, no que eu não faria, enquanto, descabelada, dentro de um táxi, ia para um laboratório fazer um exame de sangue. Mais uma pessoa que me atendeu demasiadamente sorridente e o sorriso se alargou ainda mais quando contei o ocorrido. Para me "tranquilizar” disse, minha filha, se deu positivo o de farmácia, você está mais que grávida, seus hormônios já estão lá nas alturas!
E a essa altura, mal sabia eu que um danado de um flagelinho sapeca era o ator principal da maior descoberta da minha vida até então: que eu não fazia a menor idéia do que é importante na vida. E o mais incrível, a noção nem chega assim…vem vindo em doses homeopáticas a cada mudança desencadeada pela fusão de amor que me salvou e que vai salvar esse mundão doente que a gente deixou de herança para os nossos pequeninos e pequeNinas.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Novo parto
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
A Nina vai nascer
Aproxima-se o Natal. Foram poucas as oportunidades em que me imbuí desse clima espiritual que contamina quase todos os povos, especialmente aos Cristãos.
Afirmam alguns ser tempo de mudanças e de transformação. Tempo de renovação das esperanças, tempo de se doar, tempo de perdoar, tempo de confraternizar...
Que seja tudo isso, pois, afinal, são as aspirações de toda a humanidade!
Neste Natal, porém, aqueles sentimentos tão distantes de minhas recordações, parecem que se afloram novamente. O coração bate esperançoso e a mente pressente transformações, as mais auspiciosas, para um futuro recente. O sentimento de solidariedade se avoluma, transformo-o em realidade, sinto me feliz por isso. Já não tenho a quem perdoar, pois também esqueci todas as mágoas do passado.
A renovação da vida, enfim, torna-se realidade e agradeço.
Se tudo isso já não bastasse, tem o presente que vou receber, que belo presente! Trata-se da Nina, a filha da Flavinha que está para nascer.Ela traz em sua preciosa bagagem a harmonia da união entre seus próprios pais – e como dá gosto ver isso -, de sua legítima avó, Miriam, com o Vagner – avô emprestado – e de todos os entes queridos dessa família.
Parabéns e obrigado, Nina. Você é símbolo dessa maravilhosa transformação! Você é a nova luz, com matizes dos mais variados, que iluminará nossas vidas – de todos -, de hoje em diante!
Um beijo pra você, sua mãe e um forte abraço para seu pai, Bruno.
Gnerva Tulivar – 21 de dezembro de 2010.
Obs: presente que a mamãe ganhou de natal do seu vovô, pequeNina. Nada emprestado, muito amado, você vai ver...
Imagem: foto de Vartuli
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Trezentos gramas e vinte centímetros de perfeição
Eu com a minha mania de querer ser menino, gostar das brincadeiras de menino, querer ficar perto de menino, acabei ganhando de presente uma menina.
Minha menina...
Ai que medo me aflige!
Não tenho muito o que dizer, assim bonito, assim poético, etc e tal. As vezes meus escritos nem são tão bons mesmo... Agora, mais do que nunca, nao estou nem aí para isso. Até porque acho que estou muito longe de conseguir chegar perto de qualquer palavra, frase ou oraçao que expresse uma pontinha do que foi e é saber que é ela...
Que angústia da repetição!
Que oportunidade de amar um amor tao infinito que possa curar a boneca-mãe dos seus medos bobos!
Minha filhinha, minha menina... seus chutinhos me ajudam a ter mais coragem para a missao de ser sua mãe e espero que sinta orgulho desse meu oficio, porque agora eu sei que tinha que ser você mesmo.
E explodo em lágrimas de alegria de saber que você esta vindo, minha pequeNina.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Vaso quebrado
Algum tempo depois, não muito, tantos foram os acontecimentos. Mudanças de casa, no trabalho. Novas amizades. Chegando filhos de amigos, velhos companheiros indo embora. Alguns casamentos, alguns rompimentos. Lágrimas de tristeza e de alegria. A vida seguindo o seu ciclo de altos e baixos. Esse ritmo sempre guiado pela minha essência; uma pessoa extremamente apaixonada. Intensa. Talvez por isso tantas lágrimas, tantas mudanças. Uma dose a mais de drama aqui, uma euforia exagerada ali.
A vida corre mesmo. A minha então… A essência fica, mas o vento que bate na cara, nas descidas bruscas dos baixos passa transformando. Algumas coisas mudam. Eu queria dizer que somos lapidados. Mas isso remete a um pedaço bruto que vai se tornando uma obra prima maravilhosa. Nem sempre é assim. Às vezes, coisas bonitas são perdidas. Como aquele vestido lindo que comprei e que ficou deslumbrante, mas que não foi usado no dia e, agora, já não serve mais. Pode até ser que sirva de novo um dia. Mas não vai mais causar aquela sensação de parecer ter sido feito para mim, para aquele dia. A gente vai mudando sim. E o que um dia não parecia ter grandes efeitos, de repente fica. O que machucava e sarava já não sara do mesmo jeito. Sabe quando a gente tira casquinha do machucado pra ficar livre da marca rápido, mas só o que faz é sangrar de novo e aumentar a marquinha? Feito um vaso quando quebra e a gente tenta colar. Pode até ficar inteiro. Mas sempre vai ser um vaso quebrado.
O tempo implacável, nessa roda viva e gigante, deixa de herança lembranças. Às boas, cabe o alento nas horas mais difíceis, quando as ruins insistem em criar uma carapaça em cima daquela chama do eu, essencialmente apaixonado e entregue. E quando o vestido não servir mais, ou quando aparecerem as linhas dos cacos colados? Cabe também às boas lembranças ajudar a mostrar que isso serve apenas para que haja menos tristeza em qualquer próximo acontecimento. Dos tantos que ainda serão. Até que, numa mesa de bar com um bom amigo como companhia, eu possa com muita saudade abrir os olhos, e constatar que a vida é mesmo um sonho.
Um belo de um sonho.
terça-feira, 4 de maio de 2010
Todo-coração
Hoje me deu vontade de ver um dia lindo
De ver o dia
Tenho estado submersa num lugar onde a única luz está escondida dentro de mim
Um pequeno e crescente ser
Uma criaturinha com um coração que já bate acelerado
Pude ver e ouvir
Uma pulsação ansiosa para bombear sangue e vida
Ainda não sinto esse pequenino ser
Exceto por alguns caprichos do estômago
E dor na mais feminina parte do corpo que desponta para prover alimento
Mas o todo-coração serzinho, milimétrico meu fruto de puro amor, é grandioso
Pois é razão da minha vontade de emergir e respirar
Para todos os dias lindos que quero ver
Até a beleza dos dias só não ser maior do que a do rostinho do meu - já eterno - amor
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Oração
terça-feira, 20 de abril de 2010
Ironia do destino
Apenas um milímetro.
Se não tinha amor bastante, não importa.
Já não estou mais sozinha.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Quem sabe?

quinta-feira, 4 de março de 2010
Pinot noir e lírios

Um psiquiatra australiano disse essa semana que sua pesquisa comprovou que pessoas felizes são egoístas. Que a tristeza faz com que as pessoas percebam mais o mundo exterior, logo as outras pessoas. Que os tristes ajudam mais. Fiquei pensando nisso, mas acho que eu não estava num bom dia. Porque achei que o ser humano é sempre tão egoísta, que se ele ajuda mais porque está triste é para se sentir um pouco melhor, com o fato de ver que sempre tem alguém pior. E resolvi que nada melhor do que a gente se ajudar primeiro. Dar uma mãozinha, sabe? O dia estava realmente difícil. São tantas mudanças e um território que não me pertence. E ainda tem os outros. Sim, existem outros e seus conflitos. Os altos. Os baixos. O desânimo deu uma invadida que a cama tem chamado cedo. Nove e meia, dez da noite. Pra acordar cansada. Já conheço esse filme. O elenco? Só uma pessoa atuando. Passeei pelas ruas, não vi ninguém. Como se tudo estivesse congelado, menos eu. Almocei sozinha. Comprei flores para mim. Passei num “café” charmoso. Adoro o aroma. Parei na loja de sempre, o sommelier reparou que eu estava diferente dos outros dias. Comentou. Não respondi. Cheguei em casa e coloquei as flores num vaso com água. Num gesto de carinho aos meus sentidos, dei aos meus ouvidos Jobim. Ao meu olfato o perfume dos lírios. A meu paladar a companhia do pinot noir. E ao meu coração a calma de saber tudo acaba no seu devido lugar. Desde que não falte água às flores.
Imagem: e urubu de Jobim...
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Mas passa
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Causa mortis
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Mineira na praia - mas não em férias - 2
Uma pequena quantidade de roupa. O suficiente para um fim de semana. Em BH. Que BH que nada. Em um casulo. Casulo de noite e de dia. Precisa mais nada não. O resto é o vento e o sol batendo no rosto quando raro desencasula. Mesmo assim, bem perto.
Descobri que duas rodas é bem melhor. Só não é mais que chão. Se bem que eu acho que vale todos os estratos, veículos e espaço. No chão, sobre rodas, no ar. Na cama, na rede, na sala de estar. O importante mesmo é estar lá, sideral...
Divaga, vaga, para e volta. O telefone que toca traz à tona o presente. Já me derreti de calor. Já andei apressada por causa do horário. Já tomei um cano de um carioca exxxperto. Já tomei uma cerveja antes do almoço. Já comprei mais alguns CD’s dos Beatles para a coleção. Já encontrei a terapeuta que estou precisando; para ver se consigo guardar tudo isso dentro da cachola. E ainda tenho que lembrar de passar ali na praia para fazer a oferenda à Janaína. Porque, já que estou de volta, é melhor não descuidar.
Iemanjá, Odó Iyá. O dia é seu. O interesse em celebrar é todo meu, pra ver se a cor fica de casulo até borboleta.
imagem: aquela, de dentro do taxi
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Mineira na praia - mas não em férias - 1

O coração anda ocupado, mas o Carlos Drumond de Andrade já avisou que o amor quando pula o muro e sobe na árvore tem um destino daqueles. Enquanto finjo evitar esse destino, vou me ocupando com a praia há três quadras da minha casa e a caminhada diária até a estação do metrô. Vou trabalhar. Volto. Como um "japonês" por conta da empresa. Não está ruim não, né? E ainda por cima, estou dando sorte com os cariocas que têm fama de serem marrentos. Desde que cheguei tenho sido muito bem recebida em todos os lugares. Convite para teatro, cinema, um barzinho. Com nome na porta e direito a acompanhante. Vinho na casa de uma querida amiga. Camareiras que cuidam de mim como se eu fosse uma órfã. Arranjei um monte de mãe. A do bar da piscina que mesmo quando não quero leva alguma coisa para eu comer, além das bebidinhas para a minha geladeira. A supervisora da limpeza, de uma delicadeza ímpar, cuida da casa como se fosse dela e das minhas coisas com um preciosismo de dar gosto. A do café da manhã que mandou comprar manteiga só para mim. A da recepção que tem um belo de um sorrisão toda manhã. E os rapazes da segurança que abrem a porta e sorriem, consertam alguma coisa. Juro, se eu reclamar, podem me internar.
Ontem no metrô que vive superlotado, dei lugar a uma senhora. Ela ficou repetindo que não precisava, que seria apenas uma estação. Mentira, ela desceria em Botafogo, cerca de quatro estações à frente. Sentou-se e agradeceu com aquela carinha de vó – será que sou sentimental?. Logo apareceu outro lugar aonde me acomodei. Quando me esqueci da velinha e me concentrei na esperada chegada em casa, tomei um susto. Eu estava sentada perto da janela e a senhora ao descer, bateu no vidro e deu um sorriso lindo pra agradecer. Fiquei emocionada. Acho que sou mesmo sentimental...
Saudades?
Todas, mas tenho sido bem tratada por aqui. Que São Sebastião conserve. E que São Jorge me empreste suas roupas e armas para ser só feliz. Porque, já disseram, é melhor ser alegre que ser triste.
Amém.
domingo, 24 de janeiro de 2010
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Eurita 357
É assim. Um turbilhão. Não é possível que em nenhum momento da minha vida as coisas vão acontecer de forma mais serena, mais calma. Calma! Mal cheguei na casa de varanda pra serra. De rede vermelha de amar. Amar o amor e amar a vista. Que que tem se não é pro mar? Tem nada não. Tinha. O marido deitado nela fumando o cigarrinho, com cara de pensativo. Tinha o bonito, nos quarenta e sete do segundo tempo, que adora uma rede, pra eu aconchegar e ficar bem perto. E uma santa que fica vigiando tudo o que acontece ali. Quase não coube no espaço, mas ela quis caber e coube. E deve fechar os olhos às vezes pra não ver tamanha confusão de gente. Gente que entra, gente que sai. Gente que vai e vem. E fica. E tanta música esquisita. E música boa também. A santa deve ficar agoniada algumas vezes que sente que alguma tristeza paira no ar. Porque tristeza é uma coisa que não combina com aquele lugar. Vale até luzinhas de natal sem ser natal. Mesmo que todo mundo que entre fale, olhe, é natal. Que raiva. Nem entendem a instalação do marido. E ele nada de Guimarães Rosa. Até achou bonita a letra no azulejo, mas o Leminski agradou mais. Eu acho. Acho também que a cozinha é grande, ótima para cozinhar, mas só tem cerveja. E vinho. Vinho. E cerveja. A maior produção de latinhas das redondezas. Nunca vi. Dá até para abrir um negócio. Só os amigos sustentariam o empreendimento. Faltou cozinhar. O marido até fala que gosta de cozinhar. Eu também. Mas o negócio dele mesmo é o tal wii. E o meu, não sei. Sorte que o Bolão é do lado. Ui, às vezes o cheiro de bolonhesa causa até desespero. Faltou o cachorro também apesar da jabuticabeira e as outras meninas terem cumprido um papel importante. Claro que num bairro como aquele, plantas ajudam a compor o cenário. Ah, e o barbeiro velinho também. Pelo menos para o marido passar em frente e dizer que vai fazer a barba lá um dia. Um dia vai, mas antes é preciso ir ao Marilton’s, tomar uma...cerveja. Novidade. Além da vontade de variar o cardápio. Mudar de rochedão, pra caol. Mudança significativa. Pelo menos anda uns quarteirões pra queimar as calorias. Mentira. Vai de carro mesmo. Essa vida ainda vai nos matar... Mas não isso mesmo que nos faz viver? È marido...essa vida é bandida mesmo. Ela faz o que quer. Rouba da gente o que quer, devolve quando quer ou nem devolve. Dissolve. Agora a vista pro mar está até bonita. O cristo tem uns braços abertos assim, grandão, que é bom pra quem é carente assim, tipo eu. A música está em todo lugar e o medo dentro de mim. Estou enfrentando o medo mais uma vez. Sozinha. Mais uma vez sozinha, mas dessa vez acompanhada das melhores lembranças da casinha de varanda com rede vermelha com vista pra serra, um marido, um bonito, muitos amigos, uma santa, algumas plantas e muita saudade.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Dia furta-cor
é apenas uma amostra
da felicidade pairando no ar.
E assim começo o meu dia,
Tudo colorido, tudo azul
tudo certo, tudo rosé
tudo aqui, tudo agora.
Nem escrever consigo,
nesse tempo que me resta.
Quero gozar dessa alegria,
dessa coisa que irradia,
que se transmuta riso,
em calma, em paz,
em respiro mais suave.
No tempo que me resta
não desejo mais nada
que não seja você
e sua adorável companhia.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Interlúdio
As palavras estão muito ditas
e o mundo muito pensado.
Fico ao teu lado.
Não me digas que há futuro
nem passado.
Deixa o presente — claro muro
sem coisas escritas.
Deixa o presente. Não fales,
Não me expliques o presente,
pois é tudo demasiado.
Em águas de eternamente,
o cometa dos meus males
afunda, desarvorado.
Fico ao teu lado.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Quer vinho, vem
Um amigo meu adora a frase "Só o vinho é real". Eu sempre achei graça.
Hoje entendi.
Tem verdades que duram cinco minutos.
Tem vontades que passam.
Tem certezas que não são.
Ou são só de quem tem.
Do outro não.
O outro não sou eu.
Junto peça a peça os pedaços de mim que restam do dia.
Muito trabalho ontem.
Antes também.
E uma ansiedade pelas outras coisas.
Todas.
O sono está arisco.
A respiração está igual carro com gasolina batizada.
Mas a garrafa de vinho sorri para mim.
Imagem: http://foodvu.com/content/vine-less-traveled-wine-beginners
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
domingo, 25 de outubro de 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
12 de outubro

Nossa Senhora da Aparecida.
Ela é Oxum.
Oxum é Rio.
Rio é Água.
Água também é Iansã.
Iansã sou eu.
Fragmento de uma prosa com Marcelo Dev, filho de Ogum e mestre dos magos de outra Santa, mas a Teresa, de um Rio. Venta Iansã que sua filha precisa voar.
sábado, 3 de outubro de 2009
A resposta da estante
Como se procurasse um oráculo,
passei o olho na fileira de livros.
Uns meio acabados,
outros cheirando a livraria.
Parei no Leminski
para nao complicar,
para ser curta e grossa,
mas acabei dividida em
"Tres Metades"
Meio dia
um dia e meio
meio dia, meia noite
Metade desse poema
sai na fotografia,
metade, metade foi-se.
Mas eis que a terça metade
aquela que é menos dose
de matemática verdade
do que soco, tiro, ou coice,
vai e vem como coisa
de ou, de nem, ou de quase.
Como se a gente tivesse
metades que não combinam,
três partes, destempestades,
três vezes ou vezes três,
como se quase, existindo,
só nos faltasse o talvez.
sábado, 19 de setembro de 2009
Essa coisa de voar é a maior viagem
É sempre o mesmo ritual. Nas mil filas que temos que passar, confesso para alguém desconhecido que tenho pânico de voar. A pessoa - que provavelmente também tem - diz que o número de acidentes aéreos é bem menor do que os terrestres. É engraçado, parece que realmente acredita que dizendo isso, meu medo vai passar.
Até logo, boa viagem. Agora ao lado de outro desconhecido, o momento sem volta está muito próximo. Melhor pensar em alguma coisa para distrair. Quantos aviões estão no ar naquele momento? Tem até congestionamento aéreo. Fila para sair. Fica até quente e abafado, igual no trânsito. Por quê o meu é que seria o escolhido? Acho que não. Eu nem tive aquelas premonições que dizem que toda pessoa que muda de andar tem. Tranquilo.
Aperte os cintos, cuide da bagagem, dê um sorriso amarelo ao seu vizinho como se fosse descolado e achasse que turbulência até ajuda a embalar o sono. Mas disfarce bem quando for enxugar a mão suada.
Tripulação, decolagem autorizada. Não tem mais volta. Saiu do chão...
Num milionésimo de segundo revejo a toda minha vida e concluo que sou feliz. Umas primeiras lembranças não muito hierarquizadas aparecem. Depois, outras mais óbvias. Bate uma tristeza do que podia ter sido, mas uma sensação de não importar mais. Muita saudade. Saudade de gente, de lugares, de cheiros, de comida, de arrepios, de sofrer de amor, de gozar de amor, de ser feliz, de ser triste, de cantar, de rir, de ir, de vir, de ficar, de sentir saudade.
Se posso olhar pela janela, enfrento o medo. Gosto quando tem o curso de algum rio. Principalmente se for dos grandes. Francisco, Araguaia, Paraguai. Como fazem curvas. Qual a cor. Lembro-me que eles sempre vão pro mar. Acho isso tão bonito, dá saudade de praia também. A mente rapidamente planeja alguma coisa. Se entra no meio da nuvem, perco o ar. D á vontade de puxar as famosas máscaras de oxigênio que graças a Deus até hoje nunca caíram sobre a minha cabeça. Vista liberada. Mudança de paisagem...nossa...obrigada, não tenho asas, mas posso voar!
A cada nova paisagem na memória, mais rumos pedem para ser explorados. Muda o barulho. Alerta, um mal estar. Desacelerou. Tá descendo. Até que foi rápido. Norte, sul, oeste. No leste, o outro mundo. Sai e está fazendo 44 graus. Atravessa duas fronteiras e, ao lado, brinca com neve.
Tripulação, pouso autorizado.
Aperto os cintos. Guardo as idéias. Deixo para depois o planejamento das mil coisas que inventei no espaço entre a certeza absoluta da minha morte naquele vôo e a saudade da vida que ainda quero viver. Aterrisagem completada. Respiro fundo e derreto de felicidade na poltrona, por perceber que gosto de estar com os pés bem firmes no chão. Agora, a minha alma e coraçao é melhor que fiquem mesmo nas nuvens.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
E.T.
domingo, 28 de junho de 2009



